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Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

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A mulher que ama música.

1.º Post

Ando aqui há, sensivelmente, um mês. Conta, nome, blog adiantados. Faltava o post, o primeiro. Por onde começar? Banda preferida, música preferida, som... Gosto de tudo, muitas coisas. Tinha de começar por partes. Podia sempre começar a falar de música portuguesa... faria sentido, na língua materna, do melhor que se faz em Portugal. Tantos artistas, tantos talentos. Eis que...

 

Segunda-feira à noite, véspera de feriado. Jantar de amigas marcado. Chego atrasada, para não variar - até porque demorei "horas" a arranjar estacionamento. Chego ao restaurante "Povo" (óptima energia, btw) para a sobremesa, pelo menos. Já não serviam sobremesas. Entre a azáfama de chegar, não chegar, cumprimentar as pessoas, pedir desculpa pelo atraso. Olho em frente, e lá estava uma das pessoas que há muito admiro: Samuel Úria. 

Minutos antes de ter chegado, tinha acontecido um momento de declamação de poesia de Alexandre O'Neill, através de diversas vozes - uma delas a do Samuel. E eu não tinha chegado a tempo. Olhei, ao fundo, encontrava-se já a relaxar, a beber um copo e a conversar descontraidamente com o resto do seu grupo. Pensei "o senhor está mais do que na vida dele, não o incomodarei para lhe dizer que adoro o trabalho dele - sabendo de antemão do seu talento natural". 

Uma amiga de uma amiga minha que tinha chegado de Paris nesse dia decidiu levantar-se da mesa e ir cumprimentar o Samuel. Ora, escusado será dizer que não podia perder a oportunidade de lhe dizer o quanto o admiro e, assim, pedir um autógrafo para a posteridade - e eu que nem sou de pedir autógrafos. Acabámos por conversar todos um pouco, e comigo a questionar sobre como conseguiu o Samuel criar aquela obra - à espera de receber uma data de respostas dizendo que estudou em Londres, nos Estados Unidos ou outro lugar onde a música é ensinada. Não foi ensinada, apesar de a sua mãe ter dado aulas de música particulares e de ter estudado no Conservatório. Discreto mas muito acessível, acabou por dizer que isto da música começou com ele a tocar uma guitarra que a irmã tinha lá em casa, de forma natural (quase por "destino", diria eu). Estava, assim, perante um autodidata. Atrás disso, veio a produção das próprias letras até chegar aqui.

 

Há quem lhe chame "Elvis de boa ginga". Para mim, é o Messi da escrita. Pelas canções que escreve (para ele e para outros artistas - para o Zambujo, por exemplo), pelas crónicas que produz. Mas não só. As suas letras mágicas são acompanhadas de harmonias vanguardistas. Uma simplicidade majestosa e uma visão "à frente" do nosso tempo, em conjunção. Se, numa entrevista que vi, o Samuel diz que a melhor forma de o conhecermos é através da audição das suas músicas, quero acreditar que é isso que vejo. Além de um homem que, através da sua sensibilidade máxima, exalta valores como a liberdade de ser, em toda a sua forma de expressão. E isso é bonito. 

Não condeno quem não o conheça, mas estão a perder, digo-vos.