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Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

Do trompete ao estrelato - Hollywood.

Todos (ou, pelo menos, bastantes) assistem a uma ou outra série. Mais ou menos portuguesa, espanhola ou americana. Pouco importa. Desde que nos dê uns minutos de evasão dos afazeres diários, das obrigações ou de uma simples rotina. É o que tem sido para mim House of Cards nos últimos tempos. Uma bem sucedida série norte-americana que nos conta a história de um congressista ambicioso que almeja um alto cargo público, e tudo faz para o conseguir. A sua produção começa ao estilo de David Lincher (já aqui podemos ver que promete). Por outro lado, vemos Kevin Spacey numa actuação de tirar o fôlego, aliás, como é de prever. Considerações e polémicas à parte, é inegável o seu dom para realizar coisas boas no mundo cinéfilo (e não só). 

 

Jeff Beal é o seu nome. Anda por estes lados desde o filme Pollock, de Ed Harris. Provavelmente, já o conhecem. Quanto a mim, só me deu para conhecê-lo agora. House of Cards deu-me a conhecer. Lincher escolheu-o. Trompetista de gema, diz que foi na personagem de Kevin Spacey enquanto "manipulador de marionetas" que se viu a condicionar o piano para conceber o genérico. Para que pudéssemos sentir o uso do seu poder e, até, um certo tipo de mistério quanto aos resultados que ele (o poder) pode - ou não - trazer.

 

Chega a manifestar (se-me) uma certa intriga o que o genérico de uma série nos causa. Quem diria que ao ouvir Jeff Beal faria evocar momentos de poder sombrios e de corrupção. Verdade que Jeff não escolheu a dimensão do sucesso. Ou até o tenha escolhido, quiçá. É difícil determinar o quão impactante pode ser um genérico de uma série televisiva - para o bom e para o mau. 

 

Aqui, Jeff compõe ao longo de quase toda a série. Nem só do genérico vive o senhor. De toda uma panóplia de cores e sons tão viciantes quanto exclusivos. De serem únicos. Daquelas tarefas que exigem uma abordagem admirável e única. Faz, faz bem, e repete. Sempre (em) bom. Por mais notável que se seja, nem sempre se está humanamente capaz - nas suas plenas faculdades - de se escrever, compor, cantar, representar lindamente. Há sempre muitos afazeres - nisto do dia-a-dia. Eis que Jeff o consegue. Vai contra a expectativa de se ser incapaz de alhear de todo um mundo distrativo que implica criar sempre extraordinariamente bem. Muito e bem. Até agora, foram compostas muitas músicas para uma única série - desde 2013 - em massa. E como ninguém. 

 

Dizem os entendidos que é um dos compositores mais prolíficos e respeitados que trabalha em Hollywood, nos dias que correm. Um Senhor, com "S" grande. De inspiração clássica e jazzística, fundidas num certo rock e, até, pop, dá-nos uma pequena introdução do que a política e a democracia se fazem. Aqui e no resto do mundo. E, parece (me), desde a Grécia Antiga. Ignoro se a intenção era boa, da parte de quem fundou este tipo de ciência. Alguém terá que gerir tudo isto a que chamados Estado (e mais além). Ainda assim, tenho ideia que o poder - bem como o capital - podem ser bem hipnotizantes. E a quem nunca o teve, ou nunca sentiu como se o tivesse - nenhum dos dois -, nem que seja o poder pela própria direcção da vida, deve ser bem aliciante. Aproveitem, ao menos. Quanto à série, é digno lembrar que está muitíssimo bem concebida. Declaro-me suspeita pois aprecio este género de temas. Mas deixo sempre ao vosso critério.