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Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

PDC: se gostam de hiperactividade não vão assistir ao concerto de Kevin Morby

 

Tem que se lhe diga a primeira vez que pisei o SBSR. 2017, por muito que custe acreditar. Céptica em tentar sortes em euromihões e afins, foi por acaso. Dias antes, entrava no Sabotage - para os apreciadores de rock'n'roll é o sítio - quando nos foi mostrado o passatempo para ganhar bilhetes do festival. A poucos minutos para terminar a oportunidade, liguei pouco. Entretanto, no bar, o senhor fez questão de oferecer cupões para preencher. Reticente mostrava-se o resto do grupo, pelo que, acabei eu a preencher a maioria à última hora. Dez minutos passados, chamavam o meu nome. Inesperadamente, ganhei os bilhetes para um dos dia do SBSR, e era assim que a vida me encaminhava a conhecer (ao vivo) Kevin Morby (e Red Hot Chili Peppers, na verdade).

 

Há o risco de a maior parte dos seres achá-lo desinteressante. Morby, ao vivo, mostra a pasmaceira peculiar das gravações em estúdio. Contra os mais ritmados, que apenas se revêem em furacões musicais. Sem contar com aquelas que dizem abater-se por ouvir músicas calmas (?!)... Morby afirma viver na montanha, ou pelo menos, lá passar parte do seu tempo. Em composições mais ou menos complexas e em batidas mais ou menos frequentes, é o seu idioma. Contudo, outra coisa não seria de esperar de um texano. 

 

Sem querer agradar a gregos e a troianos, a guitarra dá-lhe o ar folk [rock]. E indie. Se tem a sorte de nos agarrar, tarda a ceder. A Morby a notoriedade chega-lhe em 2017, com o albúm City Music. Apenas 4 anos depois de iniciar a carreira a solo. Antes disso, experimenta o papel de baixista na banda Woods, e lidera o The BabiesClaramente que Morby é um inspirado em Dylan. Felizmente, a "pasmaceira" é semelhante. As letras padecem de idêntica angústia peculiar. De pensamentos vagos sobre vida(s). Contextualizar os sons ao artista - como num quadro - ajuda nessa contemplação "de fora", evitando o drama.

Custa a crer ser possível apreciar qualquer tipo de arte isento de emoção, mas pode sempre tentar-se. De modo a apreciar de uma calmaria em som mais ou menos monocórdico sem ceder a certa depressividade em nós. Junto de bela cerveja em ambiente PDC (Paredes de Coura).