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Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

Um viva aos Impala.

 
Assistir a um concerto dos Tame Impala ao vivo: ainda não fiz check, confesso. Sou daquelas pessoas que decide ir aos concertos à última hora (já me tramei por ser assim). Não foi, totalmente, o caso de Tame Impala. Já tinha há muito decidido não ir, até porque me faltou o bilhete... Esgotaram logo. A verdade é que, à época, encontrava-me a viver no Porto e o concerto era em Lisboa, a logística também era necessária... 
 
Porém, não sendo da forma que imaginava, mesmo assim vi-os; ouvi-os por telefone. Alguém foi assistir e, sabendo da minha louca paixão por esta banda maravilha que nunca me cansa (eles e os Unknown Mortal Orchestra - para falar noutro momento, oportunamente claro), teve a inteligente ideia de me ligar durante o concerto (quase) todo. Um viva aqui à tecnologia e aos telefones portáteis, à rede e a tudo o resto que contribuiu para que tal sucedesse. Ouvimos. Estava eu a trabalhar a um sábado, mas tive mesmo que parar. Já ali foi mágico... um misto de emoção: por um lado, estava a amar porque eles são incríveis, e, por outro, pelo facto de estarem a ser incríveis só pensava que não estava lá ao vivo.
 
Enfim, coisas. Quem já me ouviu a dizer isto, sabe: há muitas coisas - com efeitos realmente gigantes na minha (ainda) curta vida - de que não me arrependo por um segundo, mas, sem dúvida, não ter comprado bilhete, no imediato, para ir ver Tame Impala, não foi uma delas.
Não sei o que eles têm, mas poucas são as bandas - ou até as coisas de uma vida - que (me) prendem. Às vezes, uma pessoa desilude-se com coisas, pessoas, bandas... Alt-J era a minha banda favorita antes de decidirem fazer sons que agradam à maioria. A vida é mesmo assim, e ainda bem que há sempre aquelas que nos "apanham" de surpresa de modo a nunca mais desistirmos delas.
 

 

Por acaso, até sei o que têm. Ouvem? Eles "são" um pouco electrónicos, na verdade... Pouco naturais, do ponto de vista da utilização de instrumentos ditos tradicionais. Psicadélicos, dizem os entendidos. Mas gosto. Está bem feito. Aos meus olhos, a apresentação de coisas bem feitas do que quer que seja, leva-me a aceitar - mesmo que, numa primeira análise, não se mostre coicidente com a maior parte do que vejo. 

 

A música é colocada no seu lugar. Vê-se que, cada uma que constroem, é percebida pelos sentidos antes de materializar-se. Sabem, daquelas matérias feitas com o coração, que a autenticidade não deixa estragar, não deixa ficar mau. Nada se repete, nada é imitado, imitável. Ao contrário da maior parte do que se faz hoje em dia. Cada um é como é. Cada um tem a sua luz. Todos brilham. E eles brilham porque são autênticos. Não precisaram de se padronizar para sobrevivem. E vivem. E continuam cá a fazer coisas bonitas para a população, sem perderem a sua identidade... Que continuem assim. Enquanto eu aguardo, ansiosamente, pelo momento em que decidam regressar a Portugal de modo a diluir esta mágoa que me assombra, e, por fim, idolatrá-los.