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Listen like nobody's watching

A mulher que ama música.

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Uma ode ao amor: Piaf

 

14.05.2018. Paris. Ouvido vezes sem conta: Édith Giovanna Gassion. Nome artístico: Édith Piaf. Poucas almas a desconhecem, nem que seja de ter ouvido em viagens de carro numa infância perdida, ou num filme ou anúncio publicitário de quando em vez. Há versões de canções de Piaf por uma infinidade de artistas.


Inicialmente conhecida por "La Môme Piaf", o pequeno pardal, viria a mudar o nome mais tarde. Nem sempre teve bom reconhecimento. Por momentos, alguma má fama até. De voz sofrida e tom anasalado, não perdeu o romantismo e a capacidade de sonhar até ao fim. Foi notória a sua combinação de uma espontaneidade que o amor requer com o perfeccionismo que uma canção bem feita exige - o ponto de equilíbrio que a realidade exige. Nem demasiado coração nem ignorando o que a alma invoca. Preocupada em manter a plateia, trabalhou sempre muito nas suas obras - uma workaholic dos dias de hoje.


Très belle. As suas músicas são belas. Não fosse Piaf francesa. De uma forma geral, os franceses apreciam a beleza em toda a sua expressão. Uma beleza longe de ser superficial, com conteúdos. Vulgo emoção embutida. Que, as mais das vezes, não é visível a olho nu. É preciso sair-se de si para alcançá-la.


Esteve nem aí para a censura durante a ocupação nazi em França, embora tenha sido proibida de cantar algumas das suas letras nessa época. Piaf cantou e encantou, intencionalmente. Com todo o propósito. Raras são as pessoas que compreendem as suas qualidades, e ainda tiram partido, como ela o fez. Percebia o seu carisma. Filha de um acrobata de circo e uma cantora de rua, teve, ao longo de toda a vida, as suas vicissitudes. Nem isso a parou. Apenas a conduziu a elevar a sua música à excelência. Daqueles que fazem da experiência de vida um trampolim para chegar mais perto da perfeição da obra, ou do equilíbrio, se assim o preferem.


Sem pudores, emite musicalidade aliada à sua elegância peculiar. O “ra ra ra” de “Milorde” é disso exemplo. Compôs algumas das suas canções, porém, a maior parte foi escrita por personalidades, como poetas ou amantes e amigos, que consigo privaram. 

Gostando-se do estilo ou não, é ela. Honrou a sua pureza. A sinceridade com que dá corda ao seu instrumento – a voz - é inconfundível. Ninguém fica indiferente à fantasia que uma “la vie en rose” reivindica no seu esplendor. Apreciemos. Não fosse eu uma romântica inveterada. 

 

 

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